Federação norte-americana de futebol supriu símbolo de Alá da bandeira do Irão, ao mostrar a classificação do grupo no qual coincidem no Mundial, e revelou que fez uma queixa à FIFA. Seleções defrontam-se na terça-feira

Federação do Irão acusa a dos EUA de retirar o símbolo de Alá da bandeira do país
Federação do Irão acusa a dos EUA de retirar o símbolo de Alá da bandeira do país© IVAN ALVARADO

A supressão do símbolo de Alá da bandeira do Irão motivou uma queixa do país à FIFA contra a federação de futebol dos Estados Unidos. A polémica surge em vésperas de as equipas se defrontarem no Mundial2022, na terça-feira, no Qatar.

"Num ato não profissional, a página do Instagram da Associação Americana de Futebol removeu o símbolo de Alá da bandeira iraniana”, denunciou a agência de notícias oficial Irna. Agência que revelou o facto de a federação iraniana ter enviado um email à FIFA “para exigir que envie um aviso sério” à sua congénere.

A bandeira da República Islâmica do Irão é composta pelas cores verde, branco e vermelho e no centro tem uma forma estilizada da palavra Alá, que foi retirada da bandeira numa publicação no Instagram da página da federação norte-americana. O “ato único” foi justificado pelos americanos como uma forma de “mostrar solidariedade com as mulheres do Irão”, recordando que a “bandeira nunca sofreu alterações no site da federação”.

Na terça-feira, o desafio entre o Irão e os Estados Unidos vai marcar a ronda do Mundial, num duelo que, além de ter sempre grande impacto político, vai decidir quem avança na competição. Disputadas duas jornadas, o Irão é segundo no Grupo B, com três pontos, mais um do que os Estados Unidos: a Inglaterra lidera com quatro, enquanto o País de Gales tem um.

Os países não têm relações diplomáticas desde 1980, poucos meses depois do incidente dos reféns na embaixada norte-americana em Teerão, em novembro de 1979. Ainda assim, no Mundial de 1998, em França, registaram-se cenas de confraternização entre jogadores dos dois países.

Atualmente, o Irão é palco de um amplo movimento de protesto desencadeado em 16 de setembro com a morte de Mahsa Amini, uma curda iraniana de 22 anos que morreu depois de ter sido detida pela polícia da moral.