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Posted: 20 Nov 2016 02:02 PM PST
C. morreu. Em condições normais manteria o C., sendo que a morte é
imutável e de boas intenções tem o Purgatório uma fila apreciável. Mas
não são condições normais. O Carlos morreu.
A família decidiu, bem ou mal, decidiu. Que não haveria câmara ardente,
missa ou outra cerimónia daquelas em que já poucos acreditam firmemente.
Quis o acaso que eu fosse o primeiro da família na porta da capela
onde, abrigados da chuva já estava casualmente uma família de ciganos no
exacto momento em que o féretro chegou ao local. Assim que o carro se
acercou, o mais velho descobriu-se num gesto que tanto podia ser de
temor como de respeito.
O patriarca, levou a mão ao chapéu que esmagou contra o peito e rezou
ali mesmo, na cantilena entoada pelo arrastar das últimas sílabas
abertas uma Avé Maria que acompanhei mentalmente.
Sorri. Não pude deixar de pensar na ironia. O Carlos morreu. Ele acharia graça, estou certo. 
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