quinta-feira, 12 de novembro de 2020

COMETA - 67p/CHURYUMOV-GERASIMENKO - DESCOBERTO EM 2014 - 12 DE NOVEMBRO DE 2020

 


67P/Churyumov-Gerasimenko

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67P/Churyumov-Gerasimenko
Comet 67P on 19 September 2014 NavCam mosaic.jpg
Descoberta
Descoberto porKlim Churyumov e
Svetlana Gerasimenko
Data11 de setembro de 1969
Outros nomes
Informações orbitais
Excentricidade (e)0.64102
Semi-eixo maior (a)3.4630 AU (518,060,000 km)
Periélio (q)1.2429 AU
Afélio (Q)5.6839 AU
Período orbital (P)6,44 Aj
Inclinação (i)7.0405°
Último periélio
Próximo periélio13 de agosto de 2015
Propriedades físicas
DimensõesLóbulo maior:4.1×3.2×1.3 km
Lóbulo menor=2.5×2.5×2 km
Massa(1.0±0.1)×10¹³ kg
Velocidade de escape~1 m/s[1]

67P/Churyumov-Gerasimenko é um cometa do Sistema Solar com um período orbital atual de 6,45 anos.[2] Sua última passagem pelo periélio ocorreu no dia 13 de agosto de 2015.[3] Ele é o destino da sonda espacial Rosetta, que foi lançada pela Agência Espacial Europeia em 2 de março de 2004,[4] e que "acordou" de uma hibernação no dia 20 de janeiro de 2014[5] para monitorar o cometa e procurar um local adequado para o pouso.

Em 6 de agosto de 2014 a sonda encontrou-se com o 67P, passando a segui-lo em órbita no espaço.[6] Em 12 de novembro do mesmo ano, a Philae, o pousador da Rosetta, tornou-se o primeiro objeto construído pelo Homem a pousar na superfície de um cometa.[7]

O Cometa 67P/C-G passou pelo periélio em 13 de agosto de 2015, a cerca de 186 milhões de quilômetros do Sol. O período é crucial já que aumentará significativamente a atividade no interior do cometa, assim revelando aos instrumentos informações sobre o ciclo de vida do cometa e dados preciosos a respeito da origem do Sistema Solar[8].

Descoberta

O cometa foi descoberto no ano de 1969, quando diversos astrônomos de Kiev foram visitar o Instituto de Astrofísica de Alma-Ata para efetuar pesquisa sobre cometas. Em 20 de setembro Klim Churyumov estava examinando fotos do cometa 32P/Comas Solà feitos por Svetlana Gerasimenko, quando encontrou um objeto do tipo cometa em um canto de uma fotografia.[9]

Ele imaginou que o fraco objeto detectado fosse o cometa procurado, mas ao retornar a Kiev constatou após cuidadosos estudos que um novo cometa teria sido encontrado a menos de dois graus do cometa Comas Solá.

Este cometa apresenta algumas peculiaridades. Antes de 1840 seu periélio era de 4,0 UA (quatro vezes a distancia entre a Terra e o Sol, ou seja, 600 milhões de km), então não seria possível observá-lo da Terra.

Neste ano o cometa acabou se movendo para o interior do Sistema Solar, após um encontro com o planeta Júpiter, fazendo seu periélio cair para 3,0 UA (450 milhões de km), Durante um século, o periélio foi gradualmente diminuindo até atingir a 2,77 UA.[10] Então, em 1959, novamente ele reencontrou-se com Júpiter diminuindo seu periélio em apenas 1,29 UA. Atualmente este cometa completa a sua translação em torno do Sol em 6,57 anos.

O Churyumov-Gerasimenko foi observado da Terra em seis aproximações do Sol: 1969 (descoberta), 1976, 1982, 1989, 1996 e 2002. Ele é um objeto incomum bastante ativo por um curto período e apresenta frequentemente, cauda no seu periélio.

Durante a sua aparição em 2002/2003, sua cauda tinha o comprimento acima de 10 arco minuto de comprimento, com um núcleo brilhante que excedia o brilho da cauda. Mesmo após 7 meses de seu periélio, o cometa continuava a apresentar uma cauda bem desenvolvida, mas pouco depois ela rapidamente desapareceu.

Propriedades

Após o pouso da Philae em 12 de novembro de 2014, algumas propriedades do cometa foram inicialmente descobertas, ainda dependentes de maiores estudos. A mais importante delas foi a constatação da existência de moléculas orgânicas na superfície. Equipamentos do pousador como o SESAME e o MUPUS também descobriram a existência de gelo duro e alta compactação pouco abaixo da poeira que recobre seu solo. O resultado destes estudos pode ajudar a revelar uma antiga suposição da comunidade científica: se os cometas de fato trouxeram para a Terra parte da água e dos elementos básicos para a existência da vida, como aminoácidos.[11]

Estudos posteriores concluíram que a densidade do cometa é bem inferior à imaginada, cerca de apenas 470 kg/m³, menor do que a densidade da água – 999,97 kg/m³ – o que significa que ele flutuaria se caísse num oceano terrestre. Isso ocorre por que ele tem um interior poroso, como uma esponja. Esta diferença de densidade entre os cálculos anteriores e os estudos posteriores podem ter afetado o cálculo de sua gravidade, contribuindo para que o pouso da Philae não se desenrolasse como o planejado.[12]

O Churyumov-Gerasimenko também é um cometa mais escuro do que o anteriormente previsto. A quantidade de luz refletida por sua superfície é de apenas 6% com relação à recebida, metade do refletido pela Lua, o que o faz um dos mais escuros objetos do Sistema Solar. Isto também indica que há pouco gelo exposto em sua superfície. A escuridão provavelmente é provocada por minerais como sulfeto de ferro e compostos à base de carbono que o cobrem.[12]

Um estudo de 2015 sugere que as crateras são, na verdade, dolinas criadas de uma forma similar às da Terra quando a camada de superfície do solo sofre colapso súbito. Embora essas cavidades podem ajudar a mapear o terreno do cometa, elas também podem representar um risco para o módulo Philae[13].

Vida microbial

Em 2015, os dois dos principais astrônomos, Chandra Wickramasinghe, da Universidade de Buckingham, e Max Wallis, da Universidade de Cardiff, dizem que os dados enviados pela Philae indicam que o cometa poderia ser habitado por vida alienígena microbiana. A evidências demonstram que várias características do cometa, como sua crosta negra orgânica, são melhores explicadas pela presença de organismos vivos sob a sua superfície gelada. A sonda espacial Rosetta também confima ter pego estranhos "aglomerados" de material orgânico que se assemelham a partículas virais[14][15]. Entrentanto, Uwe Meierhenrich da Université de Nice Sophia Antipolis, França, o co-investigador do instrumento COSAC(instrumento concebido para analisar quimicamente o cometa) da Philae disse que "Nenhum cientista ativo em qualquer uma das equipes de ciência dos instrumentos da Rosetta assume a presença de micro-organismos que vivem abaixo da crosta da superfície do cometas". Ele afirma que a crosta negra da superfície do cometa foi uma previsão feita em 1986 por Greenberg na revista "Nature"[16], que calculou o que aconteceria com moléculas orgânicas que ocorrem naturalmente sobre um cometa quando elas forem atingidas por raios cósmicos e luz[17]. Apesar disso, em 2016, cientistas anunciaram que a nave espacial Rosetta fez várias detecções do aminoácido glicina, usados pelos organismos vivos para produzir proteínas, na nuvem de gás e poeira circundando o cometa. Detectando diretamente compostos orgânicos essenciais em um cometa, reforça a noção de que esses objetos celestes entregaram tais blocos de construção química para a vida há muito tempo atrás para a Terra e todo o sistema solar[18].

Referências

  1. ↑ «Expedition primeval matter» (em inglês). Max-Planck-Gesellschaft. Consultado em 16 de novembro de 2014
  2. ↑ «67P/Churyumov-Gerasimenko»(em inglês). NASA. Consultado em 24 de janeiro de 2014
  3. ↑ «Returns and Appearances» (em inglês). Aerith. Consultado em 24 de janeiro de 2014
  4. ↑ «Rosetta: To Chase a Comet»(em inglês). NASA. Consultado em 24 de janeiro de 2014
  5. ↑ «Scientists hope comet-chaser spacecraft wakes up» (em inglês). Excite. Consultado em 24 de janeiro de 2014
  6. ↑ «'We're in orbit!' Rosetta becomes first spacecraft to orbit comet». CNN. Consultado em 6 de agosto de 2014
  7. ↑ «European Space Agency's Spacecraft Lands on Comet's Surface». The New York Times. Consultado em 12 de novembro de 2014
  8. ↑ «Celebrando um ano no cometa». GOASA. 12 ago. 2015. Consultado em 12 de agosto de 2015
  9. ↑ Kronk, Gary; Meyer, Maik. Cambridge University Press, ed. Cometography: Volume 5, 1960-1982: A Catalog of Comets. [S.l.: s.n.] pp. 241–245. ISBN 052187226X
  10. ↑ «67P/Churyumov-Gerasimenko - Close-Approach Data». JPL NASA. Consultado em 19 de novembro de 2014
  11. ↑ «Philae encontrou moléculas orgânicas e gelo duro em cometa». O Globo. Consultado em 18 de novembro de 2014
  12. ↑ Ir para:a b Santos, Juliana. «Missão Rosetta: cometa poderia flutuar na água». Veja. Consultado em 23 de janeiro de 2015
  13. ↑ That sinking feeling – could cavities on comet pose yet another risk to Philae? The Conversation US, Inc. em 15 de junho de 2015.
  14. ↑ Certain features of the comet suggest microbes could be present under its surface por Helen Regan na Revista "Times" em 6 de julho de 2015
  15. ↑ Philae comet could be home to alien life, say scientists por Stuart ClarK"The Guardian" em 6 de julhode 2015
  16. ↑ Predicting that comet Halley is dark por J. MAYO GREENBERG Revista Nature 321, 385 (Maio 22 1986); doi:10.1038/321385a0
  17. ↑ No alien life on Philae comet por Stuart Clark (TheGuardian) em 6 de julho de 2015
  18. ↑ Rosetta spacecraft finds key building blocks for life in a comet by IRENE KLOTZ, publicado pela "Reuters" (2016)

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