quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

ALMEIDA GARRETT - ESCRITOR - MORREU EM 1854 - 9 DE DEZEMBRO DE 2020

 


Almeida Garrett

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Almeida Garrett
Litografia de Almeida Garrett por Pedro Augusto Guglielmi (Biblioteca Nacional de Portugal).
Nascimento4 de fevereiro de 1799
PortoReino de Portugal Portugal
Morte9 de dezembro de 1854 (55 anos)
LisboaReino de Portugal Portugal
NacionalidadeReino de Portugal Português
OcupaçãoEscritor, dramaturgo, poeta, político
Assinatura
AlmeidaGarrettAutógrafo.png

João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett, mais tarde 1.º Visconde de Almeida Garrett (Porto4 de fevereiro de 1799 — Lisboa9 de dezembro de 1854), foi um escritor e dramaturgo românticooradorpar do reino, ministro e secretário de estado honorário português.

Grande impulsionador do teatro em Portugal, uma das maiores figuras do romantismo português, foi ele quem propôs a edificação do Teatro Nacional de D. Maria II e a criação do Conservatório de Arte Dramática.

Biografia

Primeiros anos

João Leitão da Silva nasceu a 4 de fevereiro de 1799, na antiga Rua do Calvário, n.ºs 18, 19 e 20 (actual Rua Dr. Barbosa de Castro, n.ºs 37, 39 e 41), na freguesia da Vitória, no Porto, filho segundo de António Bernardo da Silva Garrett (1740-1834), selador-mor da Alfândega do Porto, e de Ana Augusta de Almeida Leitão (1770-1841), casados em 1796.[1] Neto paterno de José Ferreira da Silva e Antónia Margarida Garrett, materno de José Bento Leitão e Maria do Nascimento de Almeida. Foi baptizado na Igreja Paroquial de Santo Ildefonso a 10 de Fevereiro de 1799.

Eram seus irmãos: Alexandre José da Silva Leitão de Almeida Garrett (7 de Agosto de 1797 - 24 de Outubro de 1847), que casou com Angélica Isabel Alves Cardoso Guimarães, Maria Amália de Almeida Garrett (ca. 1801 - Sé (Angra do Heroísmo)Ilha Terceira, 25 de Novembro de 1844), que casou com Francisco de Menezes Lemos e Carvalho (São Pedro (Angra do Heroísmo)Ilha Terceira, 20 de Setembro de 1786 - Sé (Angra do Heroísmo)Ilha Terceira, 6 de Outubro de 1862), António Bernardo da Silva Garrett (ca. 1803 - São José (Lisboa), 9 de Novembro de 1838), que morreu solteiro e Joaquim António de Almeida Garrett (ca. 1805 - 21 de Maio de 1845). Passou a sua infância na Quinta do Sardão, em Oliveira do Douro (Vila Nova de Gaia), pertencente ao seu avô materno José Bento Leitão, altura em que alterou o seu nome para João Baptista da Silva Leitão, acrescentando o sobrenome Baptista do padrinho e trocando a ordem dos seus apelidos. Mais tarde viria a escrever a este propósito: "Nasci no Porto, mas criei-me em [Vila Nova de] Gaia". No período de sua adolescência foi viver para os Açores, na ilha Terceira, quando as tropas francesas de Napoleão Bonaparte invadiram Portugal e onde era instruído pelo tio paterno, D. Frei Alexandre da Sagrada Família da Silva Garrett (1737-1818), Bispo de Angra.

De seguida, em 1816 foi para Coimbra, onde acabou por se matricular no curso de Direito. Em 1818 adoptou em definitivo os apelidos de Almeida Garrett (Garrett seria o apelido da sua avó paterna, que tinha vindo para Portugal no séquito duma Princesa), pelos quais ficou para sempre conhecido, passando a assinar-se João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett. Em 1821 publicou O Retrato de Vénus, trabalho que fez com que fosse processado por ser considerado materialista, ateu e imoral, tendo sido absolvido.

Presença na revolução liberal

Almeida Garret, enquanto voluntário do Batalhão Académico, de sentinela ao Convento dos Grilos durante o Cerco do Porto.

Almeida Garrett participou na revolução liberal de 1820, de seguida foi para o exílio na Inglaterra em 1823, após a Vila-francada. Antes casou-se com uma muito jovem senhorita Luísa Midosi, que tinha apenas 14 anos. Foi em Inglaterra que tomou contacto com o movimento romântico, descobrindo ShakespeareWalter Scott e outros autores e visitando castelos feudais e ruínas de igrejas e abadias góticas, vivências que se reflectiriam na sua obra posterior.

Em 1824, pode partir para França e assim o fez, nessa viagem escreveu o muitíssimo conhecido Camões (1825) e Dona Branca (1826, não tão conhecido como o anterior mas não menos importante), poemas geralmente considerados como as primeiras obras da literatura romântica em Portugal. No ano de 1826 foi chamado e regressou à pátria com os últimos emigrantes dedicando-se ao jornalismo, fundando e dirigindo o jornal diário O Portuguêz [2](1826-1827) e o semanário O Cronista (1827). Também colaborou na Revista Universal Lisbonense[3] (1841-1859) e na Semana de Lisboa[4] (1893-1895).

Teria de deixar Portugal novamente em 1828, com o regresso do Rei tradicionalista D. Miguel. No ano de 1828 ainda perdeu, para seu grande desgosto, a sua filha recém-nascida. Novamente em Inglaterra, publica Adozinda (1828).

Juntamente com Alexandre Herculano e Joaquim António de Aguiar, tomou parte no Desembarque do Mindelo e no Cerco do Porto em 1832 e 1833. Também fundou o Jornal "Regeneração" em 1851 a propósito do movimento político da regeneração.[5]

Vida política

A vitória do Liberalismo permitiu-lhe instalar-se novamente em Portugal, após curta estadia em Bruxelas como cônsul-geral e encarregado de negócios, onde lê SchillerGoethe e Herder. Em Portugal exerceu cargos políticos, distinguindo-se nos anos 30 e 40 como um dos maiores oradores nacionais. Foram de sua iniciativa a criação do Conservatório de Arte Dramática, da Inspecção-Geral dos Teatros, do Panteão Nacional e do Teatro Normal (actualmente Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa). Mais do que construir um teatro, Garrett procurou sobretudo renovar a produção dramática nacional segundo os cânones já vigentes no estrangeiro.
Com a vitória cartista e o regresso de Costa Cabral ao governo, Almeida Garrett afasta-se da vida política até 1852. Contudo, em 1850 subscreveu, com mais de 50 personalidades, um protesto contra a proposta sobre a liberdade de imprensa, mais conhecida por “lei das rolhas”.

Paixões de Garrett

A vida de Garrett foi tão apaixonante quanto a sua obra. Revolucionário nos anos 1820 e 1830, distinguiu-se posteriormente sobretudo como o tipo perfeito do dândi, ou janota, tornando-se árbitro de elegâncias e príncipe dos salões mundanos. Foi um homem de muitos amores, uma espécie de homem fatal. Foi em 1821, em plena representação da sua tragédia Catão, drama clássico, que se apaixonou perdidamente por uma bela jovem de 13 anos, Luísa Cândida de Midosi (1808-1892),[6] com quem se casaria onze meses depois, a 11 de Novembro de 1822, na Igreja de São Nicolau (Lisboa). Foi contudo um casamento infeliz, tendo acabado em separação no ano de 1836 (supostamente por adultério dela, enquanto estiveram em Bruxelas e incompatibilidade de génios e desproporção de inteligências, ela voltaria a casar-se com Alexandre Désiré Létrillard, depois de convenção amigável e verbal desde Junho de 1836, com escritura em Outubro de 1839, proporcionando-lhe uma pensão compatível com os seus proventos de empregado público). Garrett passou então a viver amancebado com Adelaide Deville Pastor (1819-1841), de 17 anos, filha ilegítima de um negociante, João António Lopes Pastor, e de uma viúva, Jerónima Deville, até a morte desta, em 26 de Julho de 1841, por complicações de saúde resultantes do parto.

Tiveram três filhos:

  • Nuno João Alexandre José António de Almeida Garrett (São José (Lisboa), 25 de Novembro de 1837 - São José (Lisboa), 9 de Fevereiro de 1839) baptizado como filho de pais incógnitos em 7 de Dezembro de 1837 na Igreja Paroquial de São José em Lisboa e sepultado no Alto de São João;
  • João de Almeida Garrett (6 de Novembro de 1839 - 16 de Dezembro de 1839);
  • Maria Adelaide de Almeida Garrett (Encarnação (Lisboa), 12 de Janeiro de 1841 - São Martinho (Sintra), 4 de Janeiro de 1896) que mais tarde casou com Carlos Augusto Guimarães e teve descendência, cujos infortúnios e ilegitimidade inspiraram o pai a escrever a peça teatral Frei Luís de Sousa. Foi baptizada em 15 de Março de 1841 na Igreja Paroquial da Encarnação em Lisboa como apenas filha natural de Almeida Garrett, sendo legitimada em 4 de Junho de 1842, quase um ano após a morte de sua mãe. Orfã muito cedo, passou a mocidade no Colégio das Salésias, conceituada instituição de educação; era tratada pelo seu pai por Mimi, que dedicou todo o seu cuidado a esta filha única que era o seu encanto, não descurando a sua formação cívica, moral, religiosa e intelectual.

Mais tarde, veio a ser amante de Rosa de Montúfar y García-Infante (1815-1883), uma fidalga espanhola filha do 3º Marquês de Selva Alegre, mulher de Joaquim António Velez Barreiros, 1º Barão e 1º Visconde de Nossa Senhora da Luz e por duas vezes (277º e 286º) Comandante da Ordem da Imaculada Concepção de Vila Viçosa, e Ministro e Governador de Cabo Verde, a quem celebrou no seu último e provavelmente melhor livro de poemas, Folhas Caídas.

Resumo Biográfico

Retrato de Garrett, datado de 1843, com as insignias de Comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa

Filho segundo do selador-mor da Alfândega do Porto, acompanhou a família quando esta se refugiou nos Açores, onde tinha propriedades, fugindo da segunda invasão francesa, realizada pelo exército comandado pelo marechal Soult que entrando em Portugal por Chaves se dirigiu para o Porto, ocupando-o.

Passou a adolescência na ilha Terceira, tendo sido destinado à vida eclesiástica, devendo entrar na Ordem de Cristo, por intercedência do tio paterno, Frei D. Alexandre da Sagrada Família, bispo de Malaca e depois de Angra.

Em 1816, tendo regressado ao continente, inscreveu-se na Universidade, na Faculdade de Leis, sendo aí que entrou em contacto com os ideais liberais. Em Coimbra, organiza uma loja maçónica, que será frequentada por alunos da Universidade como Manuel Passos. Em 1818, começa a usar o apelido Almeida Garrett, assim como toda a sua família.

Participa entusiasticamente na revolução de 1820, de que parece ter tido conhecimento atempado, como parece provar a poesia As férias, escrita em 1819. Enquanto dirigente estudantil e orador defende o vintismo com ardor escrevendo um Hino Patriótico recitado no Teatro de São João. Em 1821, funda a Sociedade dos Jardineiros, e volta aos Açores numa viagem de possível motivação maçónica. De regresso ao Continente, estabelece-se em Lisboa, onde continua a publicar escritos patrióticos. Concluindo a Licenciatura em Novembro deste ano.

Em Coimbra publica o poema libertino O Retrato de Vénus, que lhe vale ser acusado de materialista e ateu, assim como de «abuso da liberdade de imprensa», de que será absolvido em 1822. Torna-se secretário particular de Silva Carvalho, secretário de estado dos Negócios do Reino, ingressando em Agosto na respectiva secretaria, com o lugar de chefe de repartição da instrução pública. No fim do ano, em 11 de Novembro, casa com Luísa Midosi.

A Vilafrancada, o golpe militar de D. Miguel que, em 1823, acaba com a primeira experiência liberal em Portugal, leva-o para o exílio. Estabelece-se em Março de 1824 no Havre, cidade portuária francesa na foz do Sena, mas em Dezembro está desempregado, o que o leva a ir viver para Paris. Não lhe sendo permitido o regresso a Portugal, volta ao seu antigo emprego no Havre. Em 1826 está de volta a Paris, para ir trabalhar na livraria Aillaud. A mulher regressa a Portugal.

É amnistiado após a morte de D. João VI, regressando com os últimos emigrados, após a outorga da Carta Constitucional, reocupando em Agosto o seu lugar na Secretaria de Estado. Em Outubro começa a editar «O Português, diário político, literário e comercial», sendo preso em finais do ano seguinte. Libertado, volta ao exílio em Junho de 1828, devido ao restabelecimento do regime tradicional por D. Miguel. De 1828 a Dezembro de 1831 vive em Inglaterra, indo depois para França, onde se integra num batalhão de caçadores, e mais tarde, em 1832, para os Açores integrado na expedição comandada por D. Pedro IV. Nos Açores transfere-se para o corpo académico, sendo mais tarde chamado, por Mouzinho da Silveira, para a Secretaria de Estado do Reino.

Participa na expedição liberal que desembarca no Mindelo e ocupa o Porto em Julho de 1832. No Porto, é reintegrado como oficial na secretaria de estado do Reino, acumulando com o trabalho na comissão encarregada do projecto de criação do Códigos Criminal e Comercial.

Em Novembro parte com Palmela para uma missão a várias cortes europeias, mas a missão é dissolvida em Janeiro e Almeida Garrett vence abandonado em Inglaterra, indo para Paris onde se encontra com a mulher.

Só com a ocupação de Lisboa em Julho de 1833, consegue apoio para o seu regresso, que acontece em Outubro. Em 2 de Novembro é nomeado vogal-secretário da Comissão de reforma geral dos estudos. É por essa altura que terá se instalado no palácio dos Condes de Almada, no Largo de S. Domingos, em Lisboa, onde reunia a referida comissão[7]. Em Fevereiro do ano seguinte é nomeado cônsul-geral e encarregado de negócios na Bélgica, onde chega em Junho, mas é de novo abandonado pelo governo.

Regressa a Portugal em princípios de 1835, regressando ao seu posto em Maio. Estava em Paris, em tratamento, quando foi substituído sem aviso prévio na embaixada belga. Nomeado embaixador na Dinamarca, é demitido antes mesmo de abandonar a Bélgica.

Estes sucessivos abandonos por parte dos governos cartistas, levam-no a envolver-se com o Setembrismo, dando assim origem à sua carreira parlamentar. Logo em 28 de Setembro de 1836 é incumbido de apresentar uma proposta para o teatro nacional, o que faz propondo a organização de uma Inspecção-Geral dos Teatros, a edificação do Teatro D. Maria II e a criação do Conservatório de Arte Dramática. Os anos de 1837 e 1838, são preenchidos nas discussões políticas que levarão à aprovação da Constituição de 1838, e na renovação do teatro nacional.

Em 20 de Dezembro é nomeado cronista-mor do Reino, organizando logo no princípio de 1839 um curso de leituras públicas de História. No ano seguinte o curso versa a «história política, literária e científica de Portugal no século XVI».

Em 15 de Julho de 1841 ataca violentamente o ministro António José d'Ávila, num discurso a propósito da Lei da Décima, o que implica a sua passagem para a oposição, e o leva à demissão de todos os seus cargos públicos. Em 1842, opõem-se à restauração da Carta proclamada no Porto por Costa Cabral. Eleito deputado nas eleições para a nova Câmara dos Deputados cartista, recusa qualquer nomeação para as comissões parlamentares, como toda a esquerda parlamentar. No ano seguinte ataca violentamente o governo cabralista, que compara ao absolutista.

Litografia sobre papel de Almeida Garrett, Leiloaria São Domingos.

É neste ano de 1843 que começou a publicar, na Revista Universal Lisbonense, as Viagens na Minha Terra, descrevendo a viagem ao vale de Santarém começada em 17 de Julho. Anteriormente, em 6 de Maio, tinha lido no Conservatório Nacional uma memória em que apresentou a peça de teatro Frei Luís de Sousa, fazendo a primeira leitura do drama.

Continuando a sua oposição ao Cabralismo, participa na Associação Eleitoral, dirigida por Sá da Bandeira, assim como nas eleições de 1845, onde foi um dos 15 membros da minoria da oposição na nova Câmara. Em 17 de Janeiro de 1846, proferiu um discurso em que considerava a minoria como representante da «grande nação dos oprimidos», pedido em 7 de Maio a demissão do governo, e em Junho a convocação de novas Cortes.

Com o despoletar da revolução da Maria da Fonte, e da Guerra Civil da Patuleia, Almeida Garrett que apoia o movimento, tem que passar a andar escondido, reaparecendo em Junho, com a assinatura da Convenção do Gramido.

Com a vitória cartista e o regresso de Costa Cabral ao governo, Almeida Garrett é afastado da vida política, até 1852. Em 1849, passa uma breve temporada em casa de Alexandre Herculano, na Ajuda. Em 1850, subscreve com mais de 50 outras personalidades um Protesto contra a Proposta sobre a Liberdade de Imprensa, mais conhecida por «lei das rolhas». Costa Cabral nomeia-o, em Dezembro, para a comissão do monumento a D. Pedro IV

Com o fim do Cabralismo e o começo da Regeneração, em 1851, Almeida Garrett é consagrado oficialmente. É nomeado sucessivamente para a redacção das instruções ao projecto da lei eleitoral, como plenipotenciário nas negociações com a Santa Sé, para a comissão de reforma da Academia das Ciências, vogal na comissão das bases da lei eleitoral, e na comissão de reorganização dos serviços públicos, para além de vogal do Conselho Ultramarino, e de estar encarregado da redacção do que irá ser o Acto Adicional à Carta.

Por decreto do Rei D. Pedro V de Portugal, datado de 25 de junho de 1851, Garrett é feito Visconde de Almeida Garrett, em vida (tendo o título sido posteriormente renovado por 2 vezes). Em 1852 sobraça, por poucos dias, a pasta do Negócios Estrangeiros em governo presidido pelo Duque de Saldanha.

Em 1852 é eleito novamente deputado, e de 4 a 17 de Agosto será ministro dos Negócios Estrangeiros. A sua última intervenção no Parlamento será em Março de 1854 em ataca o governo na pessoa de Rodrigo de Fonseca Magalhães.

Falece a 9 de dezembro de 1854, vítima de um cancro de origem hepática, na sua casa situada na atual Rua Saraiva de Carvalho, em Campo de Ourique, Lisboa. Foi sepultado no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa, tendo sido trasladado a 3 de Maio de 1903[8] para o Mosteiro dos Jerónimos. Os seus restos mortais foram posteriormente trasladados para o Panteão Nacional[9][10] da Igreja de Santa Engrácia aquando do término deste edifício. A cerimónia ocorreu em homenagem a si e a mais outras ilustres figuras portuguesas, entre os dias 1 e 5 de dezembro de 1966.

Relevância na literatura portuguesa

No século XIX e em boa parte do século XX, a obra literária de Garrett era geralmente tida como uma das mais geniais da língua, inferior apenas à de Camões. A crítica do século XX (notavelmente João Gaspar Simões) veio questionar esta apreciação, assinalando os aspectos mais fracos da produção garrettiana.

No entanto, a sua obra conservará para sempre o seu lugar na história da literatura portuguesa, pelas inovações que a ela trouxe e que abriram novos rumos aos autores que se lhe seguiram. Garrett, até pelo acentuado individualismo que atravessa toda a sua obra, merece ser considerado o autor mais representativo do romantismo em Portugal.

Cronologia das obras

Almeida Garrett pelo escultor António Pinheiro.
Monumento em homenagem a Almeida Garrett, Jardim Duque da Terceira, Angra do Heroísmo.
Primeiras edições ou representações

Publicações periódicas

  • 1827 O cronista
  • 1830 Memórias de uma África sofrida

Bibliografia ordenada e completa

Poemas

  • Hino Patriótico, poema. Porto, 1820
  • Ao corpo académico, poema. Coimbra 1821
  • Retrato de Vénus, poema Coimbra, 1821
  • Camões, poema. Paris, 1825
  • Dona Branca ou a Conquista do Algarve, poema. Paris, 1826 (pseud. de F. E.)
  • Adozinda, poema. Londres, 1828
  • Lyrica de João Mínimo. Londres, 1829
  • Miragaia, poesia. Lisboa, 1844 (eBook)
  • Flores sem Fruto, poesia. Lisboa, 1845
  • Os Exilados, À Senhora Rossi Caccia , poesia. Lisboa, 1845
  • Folhas Caídas, poesia. Rio de Janeiro e depois Lisboa,1853
  • Camões, poema. 4ª ed. revista, com estudo de Camilo Castelo Branco. Porto, 1854
Obras póstumas
  • Dona Branca ou a Conquista do Algarve, poema. Porto Alegre, 1859
  • Dona Branca ou a Conquista do Algarve, poema. Nova York, 1860
  • Bastardo do Fidalgo, poema. Porto, 1877
  • Odes Anacreônticas: Ilha Graciosa. Évora, 1903
  • A Anália, poesia inédita de Garrett. Lisboa 1932 (redac., Porto 1819)
  • Magriço ou Os Doze de Inglaterra, poema. Coimbra, 1948
  • Roubo das Sabinas, poemas libertinos I. Lisboa, 1968
  • Afonseida, ou Fundação do Império Lusitano, poema. Lisboa 1985 (pseud.: Josino Duriense, redac., Angra 1815-16)
  • Poesias Dispersas. Lisboa, 1985
  • Magriço e os Doze de Inglaterra, poema incompleto, Lisboa, 1914

Peças teatrais

  • Catão, tragédia. Lisboa, 1822
  • O Corcunda por amor. Lisboa, 1822 [edição conjunta com Catão]
  • Catão, tragédia. Londres, 1830
  • Catão, tragédia. Rio de Janeiro, 1833
  • Catão, tragédia. Lisboa, 1845
  • Mérope, tragédia. Lisboa, 1841
  • O Alfageme de Santarém ou A Espada do Condestável. Lisboa, 1842
  • Um Auto de Gil Vicente. Lisboa, 1842
  • Frei Luís de Sousa, 1843 (eBook)
  • Dona Filipa de Vilhena, comédia. Lisboa, 1846 [11]
  • Falar Verdade a Mentir, comédia. Lisboa 1846
  • A Sobrinha do Marquês, 1848
  • Camões do Rossio, comédia. Lisboa, 1852 (co-autoria de Inácio Feijó)
Obras póstumas
  • Um noivado no Dafundo ou Cada terra com seu uso, cada roca com seu fuso: provérbio n'um acto (redac., Lisboa, 1847). Lisboa, 1857 ;
  • Impromptu de Sintra, comédia (redac., Sintra, 1822). Lisboa, Guimarães, Libanio, [1898];
  • Átala, drama (redac., Coimbra 1817). Lisboa, 1914 [inacabado];
  • Lucrécia, tragédia (redac., Coimbra, 1819). Lisboa, 1914;
  • Afonso de Albuquerque, tragédia (redac., Coimbra, 1819). Lisboa, 1914 [inacabado];
  • Sofonisba, tragédia (redac., Coimbra, 1819). Lisboa, 1914[inacabado];
  • O Amor da Pátria, elogio dramático (redac. Coimbra 1819). Lisboa, 1914;
  • La Lezione Agli Amanti, ópera bufa (redac., Porto, 1819-20). Lisboa, 1914;
  • Conde de Novion, comédia (redac., Lisboa). Lisboa, 1914;
  • Édipo em Colona, tragédia (redac., Terceira, 1816; revisão, Coimbra, 1818). Lisboa, 1952 [inacabado];
  • Ifigénia em Tauride, tragédia (redac., Terceira, 1816). Lisboa, 1952 [inacabado];
  • Falar Verdade a Mentir, comédia (redac., Lisboa). Rio de Janeiro, 1858;
  • As Profecias do Bandarra, comédia (redac., Lisboa 1845). Lisboa, 1877;
  • Os Namorados Extravagantes, drama (redac. Sintra, 1822). Coimbra 1974.

Artigos, ensaios, biografias e folhetos

  • Proclamações Académicos, Coimbra, 1820, folhetos
  • O Dia Vinte e Quatro de Agosto, ensaio político. Lisboa, 1821, 53 p.
  • Aos Mortos no Campo da Honra de Madrid, folheto. Lisboa, Jornal da Sociedade Literária Patriótica, 1822
  • Da Europa e da América e de Sua Mútua Influência na Causa da Civilização e da Liberdade, ensaio político. Londres 1826
  • Da Educação. Londres, 1829
  • Portugal na Balança da Europa: do que tem sido e do que ora lhe convém ser na nova ordem de coisas do mundo civilizado, Londres, 1830
  • Relatório dos Decretos nº 22, 23 e 24 (Reorganização da Fazenda, Administração Pública e Justiça). Lisboa, 1832, folheto
  • Manifesto das Cortes Constituintes à Nação, folheto. Lisboa, 1837
  • Necrologia do Conselheiro Francisco Manuel Trigoso de Aragão Morato, Lisboa, 1838
  • Relatório ao Projecto de Lei sobre a Propriedade Literária e Artística, Lisboa, 1839
  • Memória Histórica do Conselheiro A. M. L. Vieira de Castro, Lisboa, 1843
  • Conselheiro J. B. de Almeida Garrett, autobiografia. Lisboa, 1844
  • Memória Historica da Duqueza de Palmella: D. Eugénia Francisca Xavier Telles da Gama, Lisboa, 1845
  • Memória Histórica do Conde de Avilez, 1ª ed., Lisboa, 1845
  • Da Poesia Popular em Portugal, ensaio literário. Lisboa, 1846
  • Sermão pregado na dedicação da capela de Nª Srª da Bonança, folheto, Lisboa, 1847
  • A Sobrinha do Marquês, Lisboa, 1848, 176 p.
  • Memória Histórica de J. Xavier Mousinho da Silveira, Lisboa, 1849
  • Necrologia de D.ª Maria Teresa Midosi, Lisboa, 1950
  • Protesto Contra a Proposta sobre a Liberdade de Imprensa, abaixo-assinado/folheto. Lisboa 1850 (subscrito, à cabeça, por Alexandre Herculano e mais cinquenta personalidades, contra o projecto de «lei das rolhas» apresentado pelo governo)
Obras póstumas
  • Discursos Parlamentares e Memorias Biographicas, Lisboa, Imprensa Nacional, 1871, 438, p.
  • Necrologia do Sr. Francisco Krus; Monumento ao Duque de Palmela, D. Pedro de Sousa Holstein, Lisboa, 1899 (redac., Lisboa, 1839);
  • Memórias Biográficas, Lisboa, Empreza da História de Portugal, 1904
  • Necrologia à Morte de D. Leocádia Teresa de Lima e Melo Falcão Vanzeler, Lisboa, 1904 (redac., Lisboa, 1848)
  • Apontamentos Biográficos do Visconde d'Almeida Garrett, autobiografia. Porto, 1916
  • Entremez dos Velhos Namorados que Ficaram Logrados, Bem Logrados, Lisboa, 1954 (redac., 1841)

Romances, cancioneiros e contos

  • Bosquejo da História da Poesia e da Língua Portuguesa, Paris, 1826
  • Lealdade, ou a Vitória da Terceira, canção. Londres, 1829
  • Romanceiro e Cancioneiro Geral, vol. I. Lisboa, 1843
  • O Arco de Sant'Ana, romance. Lisboa, na Imprensa Nacional, 1845, vol. 1
  • Viagens na Minha Terra, romance. Lisboa, Typ. Gazeta dos Tribunais, 1846, 2 v. (Vol. I (eBook); Vol. II (eBook); 2 vol. juntos (eBook))
  • O Arco de Sant'Ana, romance. Lisboa, na Imprensa Nacional, 1850, vol. 2
  • Romanceiro e Cancioneiro Geral, vols. II e III, Lisboa 1851
Obras póstumas
  • Helena: fragmento de um romance inédito. Lisboa, 1871
  • Memórias de João Coradinho, aventuras picarescas. Lisboa, 1881 (redac., 1825)
  • Joaninha dos Olhos Verdes. Lisboa, 1941
  • Komurahi - História Brasileira, conto. 1956 (redac., 1825)
  • Cancioneiro de romances, xácaras e soláus e outros vestígios da antiga poesia nacional. Lisboa, 1987 (redac., 1824)

Cartas e diários

  • Carta de Guia para Eleitores, em Que se Trata da Opinião Pública, das Qualidades para Deputado e do Modo de as Conhecer, ensaio político. Lisboa, 1826
  • Carta de M. Cévola ao futuro editor do primeiro jornal liberal que em português se publicar, panfleto político. Londres, 1830 (pseud.: Múcio Cévola)
  • Carta sobre a origem da língua portuguesa, ensaio literário. Lisboa, 1844
Obras póstumas
  • Diário da minha viagem a Inglaterra, Lisboa 1881 (redac., Birmingham, 1823)
  • Cartas a Agostinho José Freire, Lisboa, 1904, 132 p. (redac., Bruxelas, 1834)
  • Cartas Íntimas, edição revista, coordenada e dirigida por Teófilo Braga. Lisboa, Empresa da História de Portugal, 1904, 172 p.
  • Cartas de Amor à Viscondessa da Luz, Lisboa, 1955
  • Correspondência do Conservatório, Lisboa, 1995 (redac.: Lisboa 1836 – 1841)

Discursos

  • Oração Fúnebre de Manuel Fernandes Tomás, Lisboa, 1822
  • Parnaso Lusitano ou Poesias Selectas de Autores Antigos e Modernos, Paris, 1826-1827, 5 v.
  • Elogio Fúnebre de Carlos Infante de Lacerda, Barão de Sabrozo, Londres, 1830
  • Da formação da segunda Câmara das Côrtes: discursos pronunciados pelo deputado J. B. de Almeida Garrett nas sessões de 9 a 12 de Outubro de 1837, Lisboa, Imprensa Nacional, 1837
  • Discurso do Sr. Deputado pela Terceira J. B. de Almeida Garrett na discussão, Lisboa, 1840
  • Discussão da Resposta ao Discurso da Coroa, pronunciado na sessão de 8 de Fevereiro de 1840, Lisboa, 1840
  • Discurso do Sr. Deputado por Lisboa J. B. de Almeida Garrett, na discussão da Lei da Decima, Lisboa, 1841
  • Elogio Histórico do Sócio Barão da Ribeira de Saborosa, Lisboa, 1843
  • Parecer da Comissão sobre a Unidade Literária, Lisboa, 1846 (dito Parecer sobre a Neutralidade Literária, da Associação Protectora da Imprensa Portuguesa, assinado por Rodrigo da Fonseca Magalhães, Visconde de Juromenha, Alexandre Herculano e João Baptista de Almeida Garrett)
Obras póstumas
  • Política: reflexões e opúsculos, correspondência diplomática. Lisboa, 1904, 2 v.

Participação em publicações periódicas

  • Toucador - Periódico sem política, dedicado às senhoras portuguesas. Lisboa, 1822 (direcção e redacção)
  • Heraclito e Demócrito. Lisboa, Ano III, 1823 (4 mar.) [nº único]
  • Português - Diário político, literário e comercial. Lisboa, 1826 – 1827 (direcção e redacção)
  • Cronista - Semanário de política, literatura, ciências e artes. Lisboa, 1827 (direcção e redacção)
  • Chaveco Liberal. Londres, 1829 (direcção e redacção); Vol. I, 1 - 17 [1]
  • Precursor. Londres, 1831
  • Português Constitucional. Lisboa, 1836 (direcção e redacção)
  • Entreacto: Jornal de Teatros. Lisboa, 1837 (fundação, direcção e redacção)
  • Jornal do Conservatório. Lisboa, 1839 - 1840 (fundação, direcção e redacção)[ligação inativa]
  • Jornal das Belas-Artes. Lisboa, 1843 – 1846 (fundação)
  • Ilustração - Jornal Universal. Lisboa, 1845 – 1846 (fundação)

Algumas obras disponíveis em formato digital na Internet

Referências

Bibliografia

  • Amorim, Francisco Gomes de. Garrett, memorias biographicas. Lisboa : Imprensa nacional, 1881. (digitalizado em www.archive.org em [4][5][6][7])
  • Crabée-Rocha, Andrée, O Teatro Inédito de Garrett. Coimbra: [s.n.], 1949.
  • Crabée-Rocha, Andrée, O Teatro de Garrett. Tese de doutoramento em Filologia Românica pela Universidade de Coimbra. Coimbra: [s.n.], 1954.
  • Crabée-Rocha, Andrée, Garrett homme de théâtre. Lisbonne: [s.n.], 1954.
  • Fernandes, Domingos Manuel. Biographia politico-litteraria do visconde de Almeida Garrett. Lisboa, Typ. luso-brittannica de W.T. Wood, 1873. (digitalizado em www.archive.org)
  • Ferreira, Maria Gabriela Rodrigues, Jornal do Conservatório: Comédia e drama de Almeida Garrett. Lisboa: Fronteira do Caos, 2010. (Tese de mestrado Faculdade de Letras/ Universidade do Porto, 2007 - digitalizada em Repositório aberto UP, 2 vol. [8]
  • Marinho, Cristina, "O jovem Garrett: fundamentos franceses de um teatro nacional", em Marinho, Cristina (1998), Teatro francês em Portugal: entre a alienação e a consolidação de um Teatro Nacional (1737 - 1820). Tese de doutoramento em Literatura Comparada. Porto: Faculdade de Letras/ Universidade do Porto. (digitalizado em Repositório aberto UP [9])
  • Monteiro, Ofélia Paiva, A Formação de Almeida Garrett: experiência e criação. Tese de doutoramento em Filologia Românica. Coimbra: Centro de Estudos Românicos, 1971. 2 volumes.
  • Monteiro, Ofélia Paiva, Os namorados extravagantes: uma peça inédita da juventude de Garrett. Coimbra, 1974.
  • Monteiro, Ofélia Paiva, O essencial sobre Almeida Garrett. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2001.
  • Motta Junior, José Carlos A.. Escorço litterario e politico do Visconde d'Almeida Garrett. Braga : Typ. Conflança, 1902. (digitalizado em www.archive.org)

Ligações externas

SANTA LEOCÁDIA DE TOLEDO - 9 DE DEZEMBRO DE 2020

 

Leocádia de Toledo

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Leocadia de Toledo
Veneração porIgreja católicaIgreja ortodoxaIgreja luterana
Festa litúrgica9 de dezembro
PadroeiroToledo[1]
Gloriole.svg Portal dos Santos

Leocadia de Toledo ou Santa Leocádia foi uma mulher espanhola venerada pela Igreja como santa, que morreu virgem e mártir.

Ainda que Aurelio Clemente Prudâncio (384-410), que dedicou parte de sua obra a hinos dos mártires não menciona Leocádia, há muito tempo existe uma igreja dedicada à santa.[2] Leocádia é um dos santos de culto mais antigos de Espanha, aparecendo citado já, por exemplo, nos calendários mozárabes.[3] A prisão e morte de Leocádia foi narrada num relato do século VII.

Hagiografia

As primeiras fontes hagiográficas datam, provavelmente, do século V. Narram que Leocádia pertencia a uma família nobre.

Segundo a tradição foi Publio Daciano, prefeito romano da Hispânia e governador da Bética que aplicou em Hispania um decreto de Diocleciano que ordenava a perseguição dos cristãos e o responsável direto de seu encerro e, em última instância, morte por martírio incruento.[4] Ao chegar a Toledo, o pretor Daciano manda prender Leocádia pela confição pública de sua fé e rejeição à apostasía. Leocádia foi presa com amarras e numa masmorra escura para que refletisse sobre os tormentos que a esperavam se não se retificasse. Informada do martírio de Eulalia de Mérida e de outros mártires como, entre outros, Vicente, Sabina e Cristeta de Talavera, com os tremendos tormentos que lhes foram aplicados com grande crueldade, Leocadia morre, talvez também de esgotamento, na prisão.

Relíquias

Enterro de Santa Leocadia de Cecilio Pla, apresentado à Exposição Nacional de Belas Artes de 1887.

Inicialmente foi enterrada no cemitério de Toledo, na zona ocidental, junto ao Tajo. Em 1587 voltaram-se a trazer a Toledo os restos mortais da santa.

Até o século VIII estiveram em Toledo. A perseguição de Abderramão I contra os cristãos provocou que muitos mozárabes fugissem da cidade e se levassem as relíquias de Leocadia, junto com as de outros santos toledanos. As de Leocadia foram levadas a Oviedo, onde Alfonso o Casto ergueu um templo em sua honra. De Oviedo, as relíquias foram levadas a Flandes. Por mediação de Felipe II os monges do cenobio de Saint-Ghislain (diocese de Cambrai), onde estavam então depositadas, voltam a entregar ao pai jesuíta Miguel Hernández e em 1587 chegam à catedral de Toledo. Na cerimônia de recepção assistem entre outros, o rei Felipe II.

Os restos da santa repousam no Ochavo da catedral, numa arqueta de prata, a qual tem textos sobre sua vida. A arqueta foi desenhada por Nicolás de Vergara e confeccionada pelo prateiro Merino. Saca-se em procissão em carroça no dia 9 de dezembro.[5]

Iconografia

Representa-lha com uma cruz pela que desenhou em prisão na rocha e com a palma do martírio. Também ante o pretor, açoitada e em prisão. Em outras ocasiões representa-lha em seu aparecimento a San Ildefonso de Toledo. Por último, representa-lha com uma torre, por ter morrido em prisão. Tem o título de confessora.

Igreja de Santa Leocádia de Toledo

A tradição toledana sustenta que a Igreja de Santa Leocádia em Toledo (Espanha) está edificada sobre o solar da casa onde nasceu a santa, à que pertenceria uma pequena habitação subterrânea, onde se afirma que fazia oração.[6]

A paróquia aparece citada em documentos desde meados do século XII, com a denominação de Santa Leocádia de Toledo, para diferenciar de outra igreja, com o mesma nome, junto ao alcázar, edificada no lugar onde a santa esteve em prisão. Também se chamou à basílica extramuros a de fora, dantes de "Santa Leocadia" e atualmente do "Cristo da Vega", onde foi enterrada. As partes mais antigas são de estilo mudéjar toledano. No século VII foi sede do IV Concilio de Toledo.[7]

Referências

  1.  Fernández Collado, Ángel (1999). Diputación Provincial de Toledo, ed. La Catedral de Toledo en el Siglo XVI. Vida, arte y personas. [S.l.: s.n.] 250 páginas. ISBN 84-87100-56-2 Verifique data em: |acessodata= (ajuda);
  2.  Antonio Pérez Lasheras, La literatura del reino de Aragón hasta el siglo XVI, Zaragoza, Ibercaja;Institución «Fernando el Católico», 2003, pág. 63. ISBN 84-8324-149-8.
  3.  «Santa Leocadia, patrona de Toledo (España),». Consultado em 26 de abril de 2018. Arquivado do original em 3 de fevereiro de 2017
  4.  Gabriel Castelló. «San Vicente mártir y Valencia»
  5.  Santos y Beatos de Toledo. [S.l.: s.n.] pp. 24–45. ISBN 84-932535-7-X
  6.  «Proceso de declaración o incoación de un Bien de Interés Cultural publicada en el BOE N.º 285 el 26 de noviembre de 1996 de la Iglesia de Santa Leocadia de Toledo.». Consultado em 29 de abril de 2019. Arquivado do original em 9 de dezembro de 2007
  7.  «La basílica de santa Leocadia y el final de uso del circo romano de Toledo: una nueva interpretación.»: 149-163. ISSN 0514-7336

Bibliografia

  • Moreno Nieto, Luis (2003). Santos y Beatos de Toledo. [S.l.: s.n.] pp. 24–45. ISBN 84-932535-7-X Instituto Teológico San Ildefonso. Serviço de Publicações. pg.    
  • Santos Vaqueiro, Ángel (2008). História, Mitos e Lendas de Toledo. Covarrubias Edições. Historia, Mitos y Leyendas de Toledo. [S.l.: s.n.] ISBN 978-84-936035-0-2   |fechaacceso= |url= ()
  • López Torrijos, Rosa (1985). «La iconografía de Santa Leocadia de Toledo»: 7-45. ISSN 0538-1983 (21): 7-45.   
  • de Calca, Francisco (1974). Descrição da imperial cidade de Toledo e história de suas antiguidades, com a história de Santa Leocadia. Diputación Provincial de Toledo. Descripción de la imperial ciudad de Toledo e historia de sus antigüedades, con la historia de Santa Leocadia. [S.l.: s.n.] ISBN 84-500-6451-1  
  • Leben der Väter und Märtyrer nebst anderen vorzüglichen Heiligen, ursprünglich in englischer Sprache verfaßt von Alban Butler. — Nach der französischen Übersetzung von Godescard für Deutschland bearbeitet und sehr vermehrt von Dr. Räß, Professor der Theologie und Direktor im bischöfl. Seminar in Mainz und Dr. Weis, Geistlicher Rat und Canonicus am hohen Dom in Speier (Leben der Väter und Märtyrer nebst anderen vorzüglichen Heiligen, ursprünglich in englischer Sprache verfaßt von Alban Butler. — Nach der französischen Übersetzung von Godescard für Deutschland bearbeitet und sehr vermehrt von Dr. Räß, Professor der Theologie und Direktor im bischöfl. Seminar in Mainz und Dr. Weis, Geistlicher Rat und Canonicus am hohen Dom in Speier. [S.l.: s.n.] p. 146) 18. 1825. p. 146.  |fechaacceso= |url= ()

Links externos

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

VELA SOLAR, ESPAÇONAVE JAPONESA LANÇADA EM 2010 - 8 DE DEZEMBRO DE 2020

 


Vela solar

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Estudo da NASA de uma vela solar

Velas solares são um tipo de propulsão que utiliza pressão de radiação para gerar aceleração. Elas são feitas de grandes espelhos membranosos de pouca massa que ganham momento linear ao refletirem fótons. A pressão de radiação à distância da Terra ao Sol é de aproximadamente 10−5 Pa[1] e é função inversa do quadrado da distância à fonte luminosa, se esta for pontual. Mesmo gerando aceleração de valor muito pequeno, velas solares são capazes de gerar aceleração constante por longos períodos e não requerem massa de reação, que geralmente totaliza uma fração significante da massa das espaçonaves que utilizam-na atualmente, possibilitando assim aumentar a carga útil da espaçonave e atingir grande velocidade. Várias tecnologias foram teorizadas a partir de velas solares de com usos para pequenas alterações de órbitas de satélites a propulsão de veículos espaciais para viagem interestelar.

Os conceitos científicos que embasam a tecnologia de velas solares são bem aceitos e difundidos, porém a tecnologia necessária para a construção viável de velas solares está em desenvolvimento, e missões espaciais baseadas em velas solares partindo de grandes agências ainda não foram executadas. Em 2005, em resposta à falta de interesse governamental, a organização Sociedade Planetária, movida por entusiastas, lançaria a espaçonave Cosmos 1, com propulsão baseada na tecnologia. Porém, o projeto fracassou pois houve uma falha no foguete que iria lançar a espaçonave de um Submarino, no Mar de Barents.

O conceito da tecnologia data desde o século XVII, com Johannes KeplerFriedrich Zander na década de 1920 novamente propôs esse tipo de tecnologia, que tem sido gradualmente refinada. O intenso interesse recente de estudos científicos começou com um artigo do engenheiro e autor de ficção científica Robert L. Forward em 1984.

Princípio

Engenheiro da NASA Les Johnson olha material de uma vela solar

Posiciona-se um grande espelho membranoso que reflete a luz do Sol ou de outra fonte luminosa. A pressão de radiação gera uma pequena quantidade de impulsão ao refletir fótons. Inclinando a superfície reflexiva em certos ângulos para a fonte luminosa, gera-se propulsão em direção normal à superfície. Ajustes nos ângulos das velas podem ser feitos com a ajuda de pequenos motores elétricos, para que a vela se incline e possa gerar propulsão na direção desejada.

Teoricamente, também seria possível gerar aceleração em direção à fonte luminosa, contrariando o senso comum, ao desacoplar parte da vela e utilizá-la para concentrar luz numa face reflexiva oposta à fonte de luz.

Trajetória otimizada proposta

Os métodos mais eficientes para utilizar velas solares envolvem manobras em direção à fonte de luz, onde a luz é mais intensa. Em meados da década de 1990 foi proposto um método que permite que uma espaçonave equipada com velas solares atinja velocidades de cruzeiro capazes de escapar do sistema solar a velocidades muito maiores do que as atingidas por outros métodos de propulsão avançados, como propulsão nuclear. Demonstrado matematicamente, esse modo de velejar foi considerado como uma das opções para viagens interestelares futuras pela NASA.

Confusão

Existe um mal-entendido que velas solares são movidas pelo vento solar, ou por partículas carregadas de alta energia do Sol. De fato, tais partículas gerariam impulso ao atingirem velas solares, porém esse efeito é pequeno comparado ao da pressão de radiação da luz: a força da pressão de radiação é cerca de 5.000 vezes maior do que aquela gerada pelo vento solar. Existem modelos propostos que se utilizariam do vento solar, porém precisariam ser muito maiores do que velas solares convencionais.

Outros também teorizam que o princípio das velas solares violaria o princípio da conservação de energia. Esse não é o caso, já que os fótons perdem energia ao atingir os espelhos de uma vela solar ao passarem por desvio Doppler: seu o comprimento de onda aumenta, diminuindo sua energia, em função da velocidade da vela - uma transferência de energia dos fótons solares para a vela. A energia adquirida soma momento à vela.

Usos

Atualmente, painéis de controle de temperatura, coletores solares e outras partes móveis são utilizados ocasionalmente como velas solares improvisadas, para ajudar espaçonaves comuns a fazer pequenas correções ou modificações na órbita sem utilizar combustível.

Algumas até tiveram pequenas velas construídas propositalmente para esse uso. Satélites Eurostar da EADS Astrium utilizam velas solares ligadas a seus painéis solares para realizar tarefas de ajuste de momento angular, economizando combustível (esses satélites acumulam momento angular através do tempo e comumente giroscópios são utilizados para controlar a orientação da espaçonave). Algumas espaçonaves não tripuladas, como a Mariner 10, utilizaram velas solares para estender sua vida útil.

Robert L. Forward mostrou que uma vela solar poderia ser utilizada para manipular a órbita de um satélite. Velas solares poderiam, no limite, ser utilizadas para manter um satélite sobre um pólo da Terra. Espaçonaves com velas solares também poderiam ser posicionadas em órbitas próximas ao Sol que seriam estacionárias tanto em relação com a Terra ou com o Sol, que Forward nomeou de 'satatite', em referência à estaticidade relativa da espaçonave. Isso seria possível pois a propulsão gerada pela vela cancela a força gravitacional exercida sobre a trajetória desejada. Uma dessas órbitas poderia ser útil para estudar as propriedades do Sol por longos períodos: uma dessas espaçonaves poderia teoricamente ser posicionada diretamente acima de um pólo do Sol e permanecer naquela posição por períodos prolongados.

Forward também propôs o uso de lasers para impulsionar velas solares. Um feixe suficiente poderoso expondo uma vela solar por tempo suficiente poderia acelerar uma espaçonave até uma fração significante da velocidade da luz. Essa tecnologia, porém, iria requerer lasers incrivelmente poderosos, lentes ou espelhos gigantescos.

Referências

  1.  «Vela Solar». Consultado em 29 de novembro de 2008. Arquivado do original em 20 de maio de 2010

Ligações externas

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