quarta-feira, 8 de setembro de 2021

DIA DA FISIOTERAPIA - 8 DE SETEMBRO DE 2021

 

Fisioterapia manipulativa

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

A fisioterapia manipulativa ortopédica (FMO) é uma área de especialização da fisioterapia que lida com o manejo de condições neuro-músculo-esqueléticas, embasada no raciocínio clínico, usando abordagens de tratamento altamente específicas, incluindo técnicas manuais e exercícios terapêuticos. A FMO também abrange e é conduzida pela evidência clínica e científica disponível e pelo quadro biopsicossocial de cada paciente.[1]

História da terapia manual

No ocidente, a primeira descrição documental de técnicas de terapia manual, remonta a Grécia antiga, sendo atribuída a Hipócrates (460 a.C). No manuscrito intitulado “Sobre as articulações”, Hipócrates descreveu técnicas manipulativas utilizando tração axial para o tratamento da escoliose, além de manipulações ortopédicas para correções de luxações no ombro.[2]

Durante o século XVII e XVIII na Inglaterra, a prática da manipulação articular foi abandonada por uma grande parcela dos médicos sendo a sua prática relegada a leigos chamados “Bone-setters”, ou numa tradução literal “arrumadores de ossos”, os quais transmitiam os seus conhecimentos de pai para filho.[3]

A razão para o abandono da manipulação não está completamente clara, mas pode ter sido devido a ineficácia do uso indiscriminado ou o perigo envolvido no uso da manipulação vertebral em pacientes com o mal de pott, uma doença de proporções epidêmicas em certos locais nesta época.[4]

A prática dos Bone-setters influenciou a criação de diversas filosofias de tratamento e profissões que utilizam a terapia manual como parte do seu arsenal terapêutico, como a Osteopatia, a Quiropraxia e a Fisioterapia manipulativa, cada uma destas utilizando conceitos diferenciados.

A Fisioterapia cresceu de maneira substancial após a sua regulamentação em 1899, na Inglaterra. É evidente que os fisioterapeutas aprenderam e praticaram manipulação vertebral desde o início do século XX. O St.Thomas’ Hospital, instituição com uma longa tradição na instrução de fisioterapeutas, teve um papel fundamental neste processo. Os médicos James e John Mennell, pai e filho, e Edgar e James Cyriax, pai e filho, estiveram envolvidos no ensino da manipulação para fisioterapeutas neste hospital e influenciaram diretamente ou indiretamente vários profissionais.[5]

Foi a partir de 1974, que um grupo de Fisioterapeutas pioneiros fundou a IFOMPT (Federação Internacional de Fisioterapeutas Manipulativos Ortopédicos) o que impulsionou o desenvolvimento da especialidade. Entre estes expoentes estavam nomes como Maitland, Kaltenborn, Paris, Lamb, Muligan e McKenzie.[6]

Regulamentação no Brasil

No Brasil os Fisioterapeutas Manipulativos Ortopédicos são representados pela ABRAFITO (Associação Brasileira de Fisioterapia Traumato-Ortopédica), filiada a IFOMPT.[7]

Métodos e técnicas

Manipulação e mobilização articular

Segundo Maitland, a mobilização é um movimento passivo executado de maneira gentil, por meio de oscilações rítmicas, realizadas dentro ou no limite do arco de movimento. A manipulação por sua vez, consiste em forçar um movimento no limite do seu arco por meio de um impulso rápido. O paciente pode sempre resistir à mobilização, se ela se tornar muito dolorosa, enquanto a rapidez da manipulação vigorosa previne qualquer controle pelo paciente.[8]

A IFOMPT define a mobilização como um continuum de movimentos passivos especializados que são aplicados em diferentes velocidades e amplitudes destinados a articulações, músculos ou nervos, com a intenção de restaurar o movimento ideal, função e/ou reduzir a dor. A manipulação é definida como um impulso passivo, de alta velocidade e baixa amplitude aplicado ao complexo articular, dentro do seu limite anatômico*, com a intenção de restaurar o movimento ideal, função, e/ou reduzir a dor.[9] *Limite anatômico: O movimento ativo e passivo ocorrem dentro da amplitude de movimento do complexo articular e não além do seu limite anatômico.

Prática baseada em evidência

A profissão fisioterápica reconhece a importância da prática baseada em evidência e encoraja ativamente os praticantes a considerar as evidências científicas durante o desenvolvimento e aplicação dos tratamentos, sendo desenvolvido métodos e revisões bibliográfica e sistemática que reforçam essa diretriz..[10] Pode ser entendida também como uma metodologia atual que auxilia os fisioterapeutas a garantir uma boa prática profissional.[11]

Há um consenso de que o domínio linguístico, principalmente o inglês, que predomina nas publicações de melhor qualidade, é um dos principais entraves para que os profissionais se atualizem com as mais recentes referências, e com isso melhorando a sua conduta.[12]

Evidências científicas

Pesquisas têm mostrado que os fisioterapeutas manipulativos são hábeis no diagnóstico de articulações facetárias sintomáticas[13], discos interveterbrais sintomâticos[14] e instabilidade lombar.[15]

Existe evidência que a terapia manipulativa espinhal (tanto a mobilização quanto a manipulação) é eficaz no tratamento da dor lombar.[16][17]

Demonstra ser eficaz também no tratamento da Síndrome do túnel do carpo.[18]

Programas de exercícios elaborados e supervisionados pelos fisioterapeutas manipulativos resultam em menor incapacidade, menor absenteísmo e retorno ao trabalho mais rápido quando comparado a outros tratamentos[19],[20],[21],[22],[23].

Estes profissionais também são pioneiros na investigação dos mecanismos que contribuem para a cronificação e recorrência da dor lombar e dos efeitos de programas específicos de exercício para tal condição (estabilização). As evidências que suportam a eficácia destes exercícios têm aumentado[24]. Existem fortes evidências que estes tratamentos são mais eficazes do que o repouso, analgésicos e massagem, comprovação obtida por 6 de 8 estudos recentes[25]. Ainda mais, a combinação da terapia manipulativa espinhal e exercícios específicos têm se mostrado ter grande eficácia no tratamento das dores lombares.[26],[27]

Referências

  1. ↑ «Standards Document IFOMPT». 2016. Consultado em 29 de abril de 2018
  2. ↑ Pettman, Erland (2007). «A History of Manipulative Therapy». The Journal of Manual & Manipulative Therapy. 15 (3): 165–174. ISSN 1066-9817. PMC PMC2565620Acessível livremente Verifique |pmc= (ajuda). PMID 19066664
  3. ↑ Pettman, Erland (2007). «A History of Manipulative Therapy». The Journal of Manual & Manipulative Therapy. 15 (3): 165–174. ISSN 1066-9817. PMC PMC2565620Acessível livremente Verifique |pmc= (ajuda). PMID 19066664
  4. ↑ Pettman, Erland (2007). «A History of Manipulative Therapy». The Journal of Manual & Manipulative Therapy. 15 (3): 165–174. ISSN 1066-9817. PMC PMC2565620Acessível livremente Verifique |pmc= (ajuda). PMID 19066664
  5. ↑ Pettman, Erland (2007). «A History of Manipulative Therapy». The Journal of Manual & Manipulative Therapy. 15 (3): 165–174. ISSN 1066-9817. PMC PMC2565620Acessível livremente Verifique |pmc= (ajuda). PMID 19066664
  6. ↑ Pettman, Erland (2007). «A History of Manipulative Therapy». The Journal of Manual & Manipulative Therapy. 15 (3): 165–174. ISSN 1066-9817. PMC PMC2565620Acessível livremente Verifique |pmc= (ajuda). PMID 19066664
  7. ↑ «ABRAFITO recebe reconhecimento da IFOMPT» (PDF)
  8. ↑ Elly., Hengeveld,; Kevin., Banks, (2013). Maitland's Vertebral Manipulation : Management of Neuromusculoskeletal Disorders - Volume 1. 8th ed. London: Elsevier Health Sciences UK. ISBN 9780702054587. OCLC 884647428
  9. ↑ «Standards Document IFOMPT». 2016. Consultado em 29 de abril de 2018
  10. ↑ MARQUES, Amélia Pasqual; PECCIN, Maria Stella (2005). «Pesquisa em fisioterapia: a prática baseada em evidências e modelos de estudos.». Revista Fisioterapia e Pesquisa. 11 (1). ISSN 2316-9117. Consultado em 28 abril 2018
  11. ↑ «PRÁTICA BASEADA EM EVIDÊNCIAS: UMA METODOLOGIA PARA A BOA PRÁTICA FISIOTERAPÊUTICA». Consultado em 28 de abril de 2018
  12. ↑ Dias, Rosângela Corrêa; Dias, João Marcos Domingues (2006). «PRÁTICA BASEADA EM EVIDÊNCIAS: UMA METODOLOGIA PARA A BOA PRÁTICA FISIOTERAPÊUTICA». Revista Fisioterapia em Movimento. v.19 (n.1)
  13. ↑ Phillips and Twomey (1996): A comparison of manual diagnosis established by a uni-level lumbar spinal block procedure. Manual Therapy 2, 82-87.
  14. ↑ Donelson, Aprill, Medcalf and Grant (1997): A prospective study of centralisation of lumbar and referred pain: A predictor of symptomatic discs and annular competence. Spine 22 (10) 115-122.
  15. ↑ Avery (1997): The reliability of manual physiotherapy palpation techniques in the diagnosis of bilateral pars defects in subjects with chronic low back pin. MPAA proceedings, 10th Biennial Conference Melbourne November.
  16. ↑ Van Tulder, Koes and Bouter (1997): Conservative treatment of acute and chronic nonspecific low back pain. A systematic review of randomised controlled trials of the most common interventions. Spine 22 (18) 2128-2156.
  17. ↑ SHEKELLE, P (1992). «Spinal manipulation for low-back pain.». Annals of Internal Medicine. v.117 (n.7) line feed character character in |titulo= at position 33 (ajuda)
  18. ↑ ARAÚJO, ANA PAULA SERRA; BORGES, REGIS ESTEFANO (2017). «EFICÁCIA DAS TÉCNICAS DE TERAPIA MANUAL APLICADAS NO TRATAMENTO DA SÍNDROME DO TUNEL DO CARPO: REVISÃO DE LITERATURA.». REVISTA UNINGÁ. v.25 (n.1). Consultado em 28 abril 2018
  19. ↑ Frost, Moffett, Moser and Fairbank (1995): Randomised controlled trial for evaluation of fitness program for patients with chronic low back pain. British Medical Journal 310 (21): 151-154.
  20. ↑ Gundewall, Liljeqvist and Hansson (1993): Primary prevention of back symptoms and absence from work. Spine 18(5) 587-594.
  21. ↑ Kellett, Kellett and Nordholm (1991): Effects of an exercise program on sick leave due to back pain. Physical Therapy 71 (4) 283-293.
  22. ↑ Mitchell and Carmen (1990): Results of a multicentre trial using an intensive active exercise program for the treatment of acute soft tissue and back injuries. Spine 15(6):514-521.
  23. ↑ Moffet, Torgerson, Bell-Syer, Jackson, Llewlyn-Phillips, Farrin and Barber (1999): Randomised controlled trial of exercise for low back pain: clinical outcomes, costs and preferences. British Medical Journal 319: 279-283.
  24. ↑ O'Sullivan, Twomey and Allison (1997): Evaluation of specific stabilising exercise in the treatment of chronic low back pain with radiologic diagnosis of spondylolysis or spondylolisthesis. Spine 22: 2959-2967.
  25. ↑ Van Tulder, Koes and Bouter (1997): Conservative treatment of acute and chronic nonspecific low back pain. A systematic review of randomised controlled trials of the most common interventions. Spine 22 (18) 2128-2156.
  26. ↑ Ottenbacher and Difabio (1994): Efficacy of Spinal Manipulation/Mobilisation Therapy. A meta-analysis. Spine 10 (9) 833-837.
  27. ↑ Scheer, Radack and O'Brien (1995): randomized controlled trials in industrial low back pain relating to return to work. Part 1. Acute Interventions. Arch Phys Med. Rehab, Vol. 76, 966-973.

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